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2012-06-21

Rio+20, o falhanço adivinhado


O falhanço histórico que a Declaração da Cimeiro Rio+20 ameaça ser é mais um incentivo aos movimentos globais para tomarem as rédeas do mundo e darem continuidade aos processos de democratização radical que têm surgido um pouco por todo o planeta.
O texto (provisório) da declaração Rio+20 dá prioridade aos mercados e ao crescimento económico, considera — com o apoio de países como a França que tem incentivado o estabelecimento das ruinosas parcerias público-privadas — a intromissão do setor privado na governação e na cooperação internacional como uma panaceia e uma mais valia e obriga os povos mais pobres do planeta a pagarem a conta. As corporações multinacionais são ilibadas de responsabilidade sobre o desenvolvimento insustentável da economia e não têm de se preocupar com os impactes negativos na sociedade e no ambiente das suas atividades. A violação dos direitos humanos a que milhões de pessoas estão sujeitos e que resulta da ação direta ou indireta destas corporações também não será, formalmente, alvo da sua preocupação. Não existe qualquer referência no texto ao estabelecimento de ligações entre as mudanças climáticas e a agricultura nem são apresentadas quaisquer medidas preventivas sobre este assunto; esquecem-se de mencionar as medidas regulatórias das práticas agrícolas, mas não os incentivos ao investimento privado neste setor.

Este é um (des)acordo suicida, do ponto de vista social, ambiental e dos direitos humanos, que apenas visa a propagação da crematística do capitalismo predatório disfarçado de “Economia Verde”.
Perante isto apenas resta a pergunta: “Estamos à espera de quê?” O processo de deslegitimação, que a comunidade internacional vetou a si própria, apenas deixa uma alternativa a de avançarmos nós, as bases populares – the grassroots, e tomarmos o compromisso de fazer as mudanças necessárias nas nossas mãos. Precisamos estabelecer uma cooperação planetária, desenvolver novos estilos de vida miméticos e respeitadores da natureza, humana e não humana. E podemos fazê-lo, como nunca foi possível, usando a criatividade das nossas mentes, o trabalho dos nossos braços, a empatia do nosso coração e a rede neuronal terráquea que estás a usar para ler este blogue.
Estás à espera de quê?
É a Hora! — disse o poeta.

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