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2012-05-19

Dranculus vulgaris...

...é o nome científico da bizarra planta cuja flor é apresentada na foto e que todas as primaveras renasce no meu jardim. Conhecida pelo jarro negro, lírio negro, erva de dragão, lírio fedorento, jarro do dragão, lírio do dragão, lírio vodoo, língua de dragão ou ainda lírio das bruxas. Na Grécia é conhecida como drakondia (dragão do sul) e em Portugal, não sei se devido ao aspeto do espadice, se à sua fama de espantar cobras, se a ambas, serpentária. A referência ao dragão (dranculus) no seu nome científico e em vários dos seus nomes comuns deve-se à ao aspeto do espádice e da espata onde a sabedoria popular viu um dragão a cuspir fogo. O tamanho e a posição erétil do espadice não escapou a conotações sexuais e, mais recentemente, foi-lhe acrescentado o nome de lírio viagra, denotando como a espécie se mostra particularmente inspiradora no desenvolvimento de folclores e crenças populares.

Algumas das lendas associadas a este dragão vegetal afirmam que carregar consigo as suas raízes e folhas repele víboras e serpentes. Existem alguns testemunhos de terem sido transportadas em navios com o objetivo de o protegerem das serpentes marinhas. Também se afirma que lavar as mãos com uma solução licorosa (alcoólica) da planta permite manusear cobras de forma segura.

Apesar de as suas raízes poderem causar alguma irritação cutânea, a planta não é tóxica e, na região dos Balcãs, as suas folhas eram (e ainda são) usadas para embrulhar queijo durante a cura. A flor tem um toque particularmente sedoso e o seu tamanho pode ultrapassar os 50 cm, como mostra o espécime da figura.
Os nomes não deixam adivinhar boa fama e devem-se, tal como as lendas, não só ao seu aspeto bizarro, mas também ao facto de a sua polinização ser feita por moscas e não por abelhas. Quando está pronta a ser polinizada a flor emana um odor pútrido de carne morta atraindo as moscas (sobretudo varejeiras) que entram para a base do espadice. Ao fim da tarde a flor fecha a base e aprisiona as moscas que, excitadas pelo aroma, movimentam-se num frenesim captando o pólen que se agarra aos seus corpos. No despertar do dia segunte, as moscas são libertadas e carregam o pólen para outra flor que começou a lançar os seus encantos aromáticos. Os frutos assemelham-se a uma pinha de bagas vermelhas à semelhança de muitas outras plantas da sua família, como os jarros brancos, comuns nos nossos jardins.
A planta é uma  perene, com rizoma tuberoso,  da família das Aráceas e pode reproduzir-se por semente ou por transplante dos tubérculos. É autóctone de toda a região da Europa mediterrânica e encontra-se mais disseminada, no estado selvagem, na região dos Balcãs e Grécia. Em Portugal, pode ser encontrada em estado selvagem um pouco por todo o país com maior incidência nas regiões mais a sul, mas não é muito vulgar.
Apesar do odor que emana quando está pronta a ser polinizada, o seu aspeto peculiar transformou-a numa planta  de jardim e disseminou-a um pouco por todo o planeta.

Créditos
Fotos: Tiradas há minutos com o meu iPhone e anotadas com o Skitch.
A informação proveio de websites diversos e de evidências organolépticas, nomeadamente o toque sedoso da espata e o cheiro nauseabundo com que atrai os polinizadores.

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